Smart Grid

Smart Grid

O conceito de smart grid ainda não é muito conhecido no Brasil, mas já vem despertando a atenção de empresas e clientes devido às potencialidades que possui. Por exemplo, por ele, é possível pensar em um modo de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica mais sustentável. E, em tempos de racionamento, isso conta muito! Uma das empresas brasileiras que vêm apostando neste conceito é a NetService. Desde o início deste ano, ela está desenvolvendo parcerias com objetivo de, em 2012, já colocar no mercado uma oferta de serviços que venha apoiar no desenvolvimento das smart grids.

De acordo com o gerente de produtos da NetService, Reginaldo Gonçalves, a smart grid vem trazer “mais inteligência para a infraestrutura de eletricidade, melhorias, flexibilização no uso, segurança, disponibilidade e mais eficiência dos sistemas”. O contexto do conceito, conforme Reginaldo, é amplo e envolve desde a geração da energia nas usinas até o consumidor final, residencial ou comercial. A smart grid não é apenas uma ação para tornar o processo mais eficiente, é um conjunto de estratégias.

Uma das ferramentas que viabilizam a smart grid é o avanço na automação de todo o sistema elétrico, que vem acontecendo aos poucos no Brasil. Isso está ocorrendo, explica Reginaldo Gonçalves, porque o país é um dos campeões em perda de energia. “Dos seis blackouts que ocorreram no mundo, desde 1965, três foram no Brasil, em 1999, 2009 e 2011”, diz. Segundo ele, o problema brasileiro está ligado ao fato de o sistema ser antigo, com grandes usinas e sistema de transmissão de mais de 30 anos de existência. “Com o grande de aumento no consumo, a gente precisa ter um sistema mais moderno, trocar os equipamentos, automatizar, trazer a tecnologia da informação e a telecomunicação para este meio”.

A partir de um conjunto de ações, a smart grid ajudará a reduzir ou eliminar essas deficiências do sistema. Entre as iniciativas, estão: gerenciamento da energia junto com o consumidor final; resposta à demanda; automação da grid; geração distribuída; e medidores inteligentes. Pela resposta à demanda, o cliente pode ter noção melhor de como economizar. Ele vai saber quando é melhor para consumir, em que horários a tarifa é mais baixa – assim, pode deixar para usar os eletrodomésticos nesse momento – e em quais é mais alta – deixando os aparelhos desligados nessa hora. O sistema de automação da grid vai permitir que sejam reduzidos os blackouts e, quando eles ocorrerem, que sejam resolvidos mais rapidamente, com o retorno da energia.

Segundo Reginaldo Gonçalves, a geração distribuída possibilita a instalação de matrizes renováveis, do tipo eólica ou solar, de qualquer porte na rede. Com isso, haveria microgeradoras de energia. O consumidor final poderia gerar sua energia e utilizaria o que fosse necessário, e o restante poderia até ser vendido pelo usuário à companhia energética. Para que funcione, no entanto, é preciso mais investimentos em tecnologia e automação, como ressalta o gerente de produtos. Por fim, os medidores inteligentes são os instrumentos que vão possibilitar o funcionamento preciso e eficiente da smart grid. Com eles, seria dispensado o processo de leitura do relógio pelo leiturista. As informações sobre consumo iriam diretamente para a concessionária e também o consumidor poderá receber informações diretamente da concessionária, com um fluxo de informações de forma bidirecional. Eles também permitiriam a variação tarifária. “O consumidor vai ter as informações on-line sobre quanto que ele paga em cada horário e poderá escolher on-line o que ele quer fazer”.

Reginaldo Gonçalves conta que a NetService começou a dar foco neste conceito em fevereiro deste ano, pesquisando e conhecendo mais sobre a smart grid. No momento, estão firmando parcerias estratégicas para colocar no mercado já em 2012 uma oferta de serviços. Além disso, a empresa já vem atuando com serviços de automação em subestações do sistema elétrico. Segundo ele, todas as companhias brasileiras que estão iniciando ações dentro do smart grid estão em fase de pesquisa e projetos-piloto. Uma delas é a Cemig, que tem uma ação em andamento em Sete Lagoas, chamada Cidades do Futuro. Os empreendedores também estão aguardando regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o tema, para ter definições sobre padrões, segurança e sigilo, entre outras questões.

Depois que estiver regulamentado, o conceito terá efeitos práticos sobre a vida da população, acredita Reginaldo Gonçalves. Por exemplo, vai evitar perdas técnicas e não técnicas (furto) de energia e possibilitar o mapeamento de locais em que poderão ser construídas pequenas usinas, para que não haja grandes fugas de energia durante o processo de transmissão. Além disso, ele aposta que a smart grid irá impulsionar os veículos elétricos. “A pessoa vai poder recarregar seu veículo em qualquer ponto, e o valor da recarga vai direto para a conta dela”.

Para o gerente de produtos da NetService, o smart grid é um conceito que vai fazer parte da vida do brasileiro brevemente. “A smart grid vai ser como uma internet, dentro do conceito de energia elétrica. O limite será a imaginação de quem trabalhar com o conceito”, diz. No momento, a ideia está mais presente na área de energia elétrica, mas Reginaldo Gonçalves acredita que irá expandir, também, para o sistema de abastecimento de água e fornecimento de gás natural.